Em um intervalo de 24 horas, Ramon Rique viveu uma guinada rara: titular no clássico sub-20 contra o Botafogo, foi escalado no dia seguinte para a Sul‑Americana, pela 3ª rodada, e estreou como profissional contra o Olimpia. A entrada no time principal foi motivada pela indisposição de Tchê Tchê no aquecimento — resultado: 110 minutos disputados entre as duas partidas.
A apresentação em São Januário teve aspectos práticos que chamaram atenção. O volante mostrou segurança para ocupar espaços, solicitou passes, orientou companheiros e participou diretamente de uma recuperação de bola que originou a jogada do segundo gol do Vasco. Saiu aos 25 minutos do segundo tempo sob aplausos, com a impressão de ter resistido bem ao esforço atípico.
O caso reforça a política de aproveitamento da base. Ramon assinou o primeiro contrato profissional no ano passado, válido até outubro de 2029, com multa rescisória de 60 milhões de euros. Revelado como meia esquerda, ganhou corpo e migrou para a função de volante — pela sub-20 do técnico Matheus Curopos são 18 jogos e quatro gols em 2026.
Além do rendimento em campo, há vínculo comunitário: formou-se no colégio do clube e tem mãe professora. Para a comissão técnica e a diretoria, a resposta imediata do jovem serve como argumento de que a base pode suprir necessidades emergenciais e gerar ativos com valor de mercado, desde que a gestão de carga e o calendário sejam bem conduzidos.