O primeiro gol do Brasil na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia teve dedo de Rayan. Aos 19 anos, o atacante aproveitou uma desatenção do zagueiro rival dentro da área, desarmou Scott McKenna e serviu Vinícius Júnior para abrir o placar em Miami. Além do lance, o jovem entrou para a história: é o mais jovem titular do Brasil em Copa desde Marco Antônio, e o mais novo a dar uma assistência em Mundial desde Müller, em 1986.

Em entrevista à seleção, Rayan atribuiu o movimento à orientação de Carlo Ancelotti. Segundo o atacante, o técnico italiano cobra que a marcação saia desde os homens de frente: “Primeiro marcar e depois jogar”, disse, relatando evolução nessa função desde o ano passado. O jogador ainda projetou o duelo pelas oitavas, marcado para Houston, e falou em manter o padrão defensivo contra o Japão.

O próprio percurso do atleta ajuda a explicar a mudança: Rayan enfatizou a influência de Fernando Diniz, que o fez evoluir taticamente no Vasco de 2025, e chamou o treinador de “pai”. Também agradeceu a Andoni Iraola, seu técnico no Bournemouth, que o acompanhou na transição ao futebol europeu. As referências mostram que a marcação alta e o trabalho coletivo no ataque não foram improvisação, mas resultado de construção técnica.

Além do valor individual, o desarme e a assistência têm impacto prático: oferecem ao Brasil uma alternativa a mais na pressão inicial e reduzem a dependência exclusiva da criação pelo meio. Rayan, que nasceu e cresceu na Barreira do Vasco e é filho do ex-zagueiro Valkmar, afirmou querer aproveitar o momento e buscar o título. A peça jovem, assim, vira também instrumento tático num time que precisa variar ataques e manter solidez nas fases decisivas.