A República Democrática do Congo entra em campo em Atlanta com a clareza de quem conhece o papel que ocupa no torneio: o de azarão. O técnico francês Sébastien Desabre não nega a diferença no ranking da Fifa — a Inglaterra figura entre as primeiras colocadas enquanto os congoleses ocupam posição bem abaixo —, mas sustenta que a equipe tem qualidades que extrapolam números e cartel.
No discurso de preparação prevalece a ênfase na organização tática e na ambição coletiva. Desabre lembrou a atuação contra Portugal, quando a seleção africana arrancou empate, e defende que o time já mostrou capacidade de competir 90 minutos contra adversários considerados superiores. A mensagem é clara: não basta participar; a meta é seguir vivo no Mundial.
No Grupo, a RD Congo somou um empate com Portugal, uma derrota apertada para a Colômbia e uma vitória diante do Uzbequistão. O caminho é curto e cruel: quem vencer em Atlanta enfrentará o ganhador de México x Equador, mantendo vivo um possível confronto de peso no mata-mata. Para uma seleção que se apresenta como desafiante, cada detalhe tático e mental será determinante.
A partida traz para o torcedor e para a equipe a oportunidade de transformar a condição de coadjuvante em algo mais concreto. Se a Inglaterra parte como favorita pelos números e pelo elenco, a seleção congolesa aposta em disciplina, sacrifício e em uma preparação que busca explorar pontos fracos do adversário. No futebol, sobram histórias em que o status de azarão foi usado como combustível — cabe à RD Congo demonstrar que também pode ser.