O Real Madrid formalizou nesta semana um protesto público e exigiu a demissão de Javier Tebas após o presidente da LaLiga publicar nas redes sociais uma comparação entre a comunicação do clube — em especial a Real Madrid TV — e os métodos de propaganda utilizados por Joseph Goebbels. Na nota oficial, o clube classificou as palavras de Tebas como ofensivas e institucionalmente inaceitáveis, mesmo diante da tentativa do dirigente de distinguir técnica de ideologia.
Tebas, que além de chefiar a LaLiga ocupa também a vice-presidência da Federação Espanhola, afirmou que a emissora oficial do Real repetiria narrativas, selecionaria fatos e fabricaria inimigos, e equiparou esse padrão a técnicas propagandísticas utilizadas no regime nazista. O Real rebateu que essa comparação ultrapassa o limite do debate público e apontou um padrão recorrente de ataques do dirigente à instituição, argumento usado para sustentar a perda de neutralidade exigida ao cargo.
O episódio ocorre em meio à disputa sobre o caso Negreira — que envolve pagamentos do Barcelona a um ex-vice do Comitê de Árbitros — e intensifica a tensão entre clubes e governança do futebol espanhol. A ofensiva do Real tem função política clara: deslocar a discussão do conteúdo do caso para a conduta do presidente da entidade que deveria zelar pela imparcialidade do campeonato.
Além do desgaste reputacional para Tebas e para as instituições que ele representa, o confronto abre espaço para questionamentos formais e pressiona por esclarecimentos públicos. A crise acompanha riscos práticos: enfraquece a imagem de neutralidade da LaLiga, complica relações entre clubes e federação e deixa em evidência a fragilidade de controles internos quando denúncias e retóricas públicas se cruzam.