A política do Corinthians entrou em ebulição com a proximidade do período eleitoral. Faltando cerca de quatro meses para o início das inscrições, o Parque São Jorge transformou‑se num palco de disputa técnica: a viabilidade da reeleição de Osmar Stabile está sendo questionada por aliados e adversários, que enxergam no mesmo texto estatutário argumentos opostos.
No centro da controvérsia está o artigo 103, que veda reeleição imediata, mas prevê exceção em caso de vacância quando o mandato preenchido for inferior a 18 meses. A oposição sustenta que o relógio começou a contar em 26 de maio de 2025, quando Augusto Melo foi afastado pelo Conselho Deliberativo, e conclui que Stabile atingiria 18 meses em 26 de novembro de 2026, ficando assim inelegível.
Digo publicamente que não coloco a eleição à frente do ajuste das contas e do dia a dia do clube.
A situação, por sua vez, defende que o mandato só teve início formal em 25 de agosto de 2025, após a eleição indireta, o que deixaria Stabile apto para concorrer. Publicamente o presidente evita lançar candidatura e diz concentrar esforços na reestruturação financeira do clube, mas a perspectiva de uma mudança estatutária já programada para abril acrescenta tensão ao tabuleiro político.
Independentemente da decisão da Comissão Eleitoral, especialistas e conselheiros ouvidos no clube apostam que a disputa terminará no Judiciário. A oposição prepara contestações com base na vedação histórica à reeleição entregue após a era Dualib, enquanto a situação procura legitimar a continuidade administrativa pela via estatutária e pelo apoio do programa Fiel Torcedor.
O embate tem implicações práticas: a governabilidade fica fragilizada — agravada pelo afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo — e o ruído político pode repercutir no futebol, hoje sob Dorival Júnior. Até que a Comissão e, possivelmente, os tribunais definam o caso, cada vírgula do estatuto virou munição política e a rotina do clube tende a permanecer hostil.
Abrir campanha agora apenas atrapalharia a administração e a recuperação financeira do Corinthians.