A interpretação da chamada 'regra anticera' voltou ao centro da polêmica após o clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbi. Segundo o comentarista de arbitragem PC de Oliveira, o árbitro cometeu erro ao manter Ryan Francisco fora de campo no momento em que o Santos fez o gol de empate, o que alterou temporariamente o equilíbrio numérico da partida.

Aos 32 minutos do primeiro tempo, o árbitro, com auxílio do VAR, assinalou pênalti para o São Paulo — convertido por Luciano — depois de falta de Lucas Veríssimo em Ryan. O defensor recebeu cartão amarelo. Apesar disso, a equipe de arbitragem determinou que Ryan aguardasse fora do gramado por um minuto; antes de seu retorno, Gabigol aproveitou um cruzamento e empatou de cabeça.

PC de Oliveira explicou que a aplicação correta da norma depende da natureza do cartão: se o amarelo for entendido como consequência de um lance brusco, o jogador pode receber atendimento e permanecer; se for uma advertência por conduta tática, a saída por um minuto é exigida. Na avaliação do ex-árbitro, não houve clareza nessa leitura no lance do Morumbi, o que caracterizaria um equívoco.

O episódio tem implicações práticas e institucionais: além de influenciar o resultado momentâneo do jogo, expõe uma margem de interpretação que pode alimentar reclamações de clubes e aumentar a pressão por orientações mais precisas e treinamento adicional para arbitragem e VAR. A repetição de decisões ambíguas tende a minar a confiança no mecanismo e a exigir uma resposta técnica das autoridades do futebol.