Confirmado nesta segunda-feira como novo técnico do Grêmio, Renato Portaluppi retorna com a mesma marca que acompanhou a carreira: mistura de irreverência, chantilly de vestiário e falas que rendem manchetes. Gestos como entregar compilados dos próprios gols a jogadores — episódio lembrado com Luis Suárez — ilustram o estilo de proximidade e de construção de liderança interna.
Ao longo das passagens por clubes, Renato colecionou declarações comparativas e provocativas que alimentam sua imagem pública. Em confrontos de prestígio e entrevistas, não fugiu de se colocar ponto a ponto frente a grandes nomes ou de afirmar convicções sobre a qualidade de seus times. Essas afirmações viraram ferramenta de motivação, mas também combustível para críticas quando os resultados não acompanharam.
Como treinador, tem no currículo conquistas relevantes — entre elas a Copa do Brasil e a Libertadores de 2017 — e episódios que justificaram apostas mesmo após períodos fora do cargo. Falas sobre estar 'na praia' antes da contratação e pedidos simbólicos de reconhecimento ajudaram a consolidar um personagem que não se dissocia do desempenho em campo.
A volta de Renato reacende expectativas da torcida e também pressiona a direção: o estilo pode reforçar coesão no elenco, mas traz risco de desgaste público em momentos de vacas magras. Para o Grêmio, a contratação é uma aposta na autoridade do ídolo; para a cobertura jornalística, significa avaliar com atenção até que ponto a retórica vira resultado e quando se transforma em problema institucional.