A tradição que hoje marca um ‘jogo de abertura’ oficial começou em 1966, com Inglaterra e Uruguai empatando sem gols diante da Rainha Elizabeth II. Desde então, o pontapé inicial virou referência — mas não garantia de espetáculo. Quatro edições consecutivas (1966, 1970, 1974 e 1978) estrearam sem gols, e só em 1982 a escrita foi quebrada, com a Bélgica vencendo a Argentina por 1 a 0.

O Mundial atual reserva duas singularidades: pela primeira vez a partida inaugural será uma repetição — México e África do Sul já abriram a Copa de 2010 (1 a 1) — e o lendário Estádio Azteca receberá sua terceira abertura, depois de 1970 e 1986, um recorde absoluto para sedes do torneio.

Historicamente, o jogo de abertura também carregou surpresas significativas. Campeãs do mundo já perderam na estreia seguinte: a Argentina caiu diante de Camarões em 1990 (gol de Omam-Biyik) e a França foi batida pelo Senegal em 2002 (Papa Bouba Diop). Em outros casos, titulares do título empataram ou estrearam em falso, mostrando que o peso simbólico de abrir o torneio nem sempre vira vantagem em campo.

O retrospecto dos anfitriões tende a ser mais favorável: em sete aberturas com donos da casa, apenas o Catar saiu derrotado (2 a 0 para o Equador, em 2022). Já as maiores amplificações ocorreram em vitórias destacadas, como a Rússia goleando a Arábia Saudita por 5 a 0 em 2018, o maior placar registrado em uma partida inaugural. No conjunto, o início do Mundial segue como termômetro de tradição, imprevisibilidade e histórias que podem antecipar zebras ou consolidar favoritos.