Um robô humanoide produzido pela fabricante chinesa Honor venceu neste domingo a meia-maratona para máquinas realizada em Pequim, concluindo os 21 quilômetros em 50 minutos e 26 segundos, segundo publicação da Área de Desenvolvimento Econômico-Tecnológico de Pequim (Beijing E-Town). O tempo ficou abaixo da marca humana de referência registrada em março pelo ugandense Jacob Kiplimo, perto de 57 minutos em Lisboa, e simboliza um salto no desempenho das plataformas bípedes.
A evolução é abrupta: na edição inaugural do evento, em 2025, o vencedor levou 2h40min42s. Nesta prova, além do primeiro colocado da Honor, outros robôs da mesma empresa ficaram em segundo e terceiro com tempos próximos de 51 e 53 minutos, reportou a emissora estatal CCTV. A organização também informou que cerca de 40% dos competidores percorreram o trajeto de forma autônoma; os demais foram controlados remotamente. A corrida não foi isenta de problemas — houve queda logo na largada e colisões com obstáculos —, o que mostra que a robustez em campo ainda é variável.
O público reagiu com surpresa e entusiasmo. Espectadores registraram mudanças visíveis em comparação ao ano anterior e destacaram que os robôs roubaram parte do protagonismo dos corredores humanos, de acordo com relatos reunidos pela organização. Havia também demonstrações práticas: um dos robôs atuou como agente de trânsito, orientando participantes por gestos e voz, recurso que sublinha aplicações possíveis além do espetáculo esportivo.
A corrida entra no contexto de uma corrida estratégica mais ampla: Pequim tem incluído o desenvolvimento de fronteiras tecnológicas em seu planejamento quinquenal e analistas lembram das implicações geopolíticas da competição com os Estados Unidos. Especialistas citados por relatórios do setor — como o grupo Omdia — já classificaram algumas empresas chinesas entre as principais fornecedoras globais de robôs inteligentes, com remessas que ultrapassaram milhares de unidades. Mesmo assim, observadores ressaltam que distância entre demonstração e comercialização em larga escala permanece, e a transferência de tecnologias (refrigeração líquida, confiabilidade estrutural) para usos industriais será determinante.