A 24ª rodada do Brasileirão teve um volume atípico de finalizações: 320 conclusões em dez partidas, a maior marca desde 2013, quando o Gato Mestre começou a coletar dados da competição. O total superou o recorde anterior de 301 finalizações, registrado na 34ª rodada do ano passado. Em média, os jogos desta temporada registram 25,7 finalizações; o clássico baiano — Vitória 0 x 2 Bahia — foi o mais intenso, com 42 finalizações (15 do Vitória e 27 do Bahia).
Esse salto de tentativas ocorreu já no segundo fim de semana disputado sob o novo pacote de regras que visa aumentar o tempo de bola em jogo, coibindo percas de tempo com atendimentos médicos, cobranças de tiro de meta e laterais. As novidades, testadas na última Copa do Mundo, parecem ter alterado comportamento: duas das três rodadas com maior número de finalizações aconteceram após a implementação (23ª e 24ª).
Apesar do volume, a produção de gols não acompanhou a explosão de conclusões. Foram 25 gols em 320 finalizações — um gol a cada 12,8 tentativas — a terceira menor eficiência do campeonato. Para efeito de comparação, a terceira rodada teve a maior eficiência, com um gol a cada 8,1 finalizações; a 23ª rodada, já sob as novas regras, teve eficiência de um gol a cada 8,9 tentativas. Hulk e Neymar terminaram a rodada com seis finalizações cada; apenas Hulk marcou, contra o Remo.
O balanço aponta um efeito imediato sobre a dinâmica das partidas — mais ações ofensivas e disputa pela bola —, mas levanta dúvidas sobre o impacto no resultado e no espetáculo para o torcedor. Em termos práticos, os números indicam mudança comportamental, ainda sem retorno consistente em gols. Pesquisas complementares sobre tempo de bola e qualidade das chances serão necessárias para avaliar se o pacote de regras entrega ganhos reais à competição, segundo o próprio monitoramento do Gato Mestre.