Aos 51 anos, Roger Machado relatou o nível de hostilidade que enfrentou na curta passagem pelo São Paulo, que terminou em maio depois de dois meses e um dia. O treinador diz ter bloqueado cerca de 2 mil números no WhatsApp e evitado redes sociais após ofensas e ameaças direcionadas também à esposa e às filhas. Apesar do episódio, afirma não se arrepender de ter aceitado o trabalho e pretende voltar ao mercado em breve.
Contratado em março para substituir Hernán Crespo, Roger comandou 17 partidas pelo clube — com sete vitórias, quatro empates e seis derrotas — e acabou eliminado na quinta fase da Copa do Brasil. A resistência de parte da torcida desde a troca de comando e a pressão sobre a família foram fatores que marcaram sua experiência e o obrigaram a restringir o contato com críticos, bloqueando números um a um, em vez de trocar de telefone.
O treinador também descreve que tentou implementar mudanças táticas em pouco tempo e que, mesmo com apoio de atletas em momentos pontuais — como após a vitória sobre o Juventude — sentiu que teria dificuldades para se estabilizar. Ele diz ter contado com solidariedade interna, mas que, na visão dele, a percepção pública e a falta de acolhimento acabaram encurtando seu projeto no Morumbi.
Fora dos gramados, Roger busca rotina mais tranquila com tênis, leituras em livros físicos e pilates, enquanto avalia propostas. O caso expõe, além do desgaste pessoal, um problema recorrente no futebol moderno: a exposição e a hostilidade têm custo real sobre profissionais e suas famílias, e podem ampliar o risco de afastamento de técnicos diante de ambientes instáveis.