O Conselho Deliberativo do Atlético-MG aprovou nesta segunda-feira, em votação presencial na Arena MRV, um aporte de R$ 530 milhões na SAF com o objetivo declarado de quitar parte das dívidas bancárias do clube. A pauta passou com larga maioria: apenas um conselheiro se posicionou contra. Também foi aprovada a prestação de contas da Associação referente ao ano anterior.
O aumento de capital da SAF — em torno de R$ 436,9 milhões — altera a composição acionária e dilui a participação de todos os sócios. Com a operação, Rafael e Rubens Menin aumentaram a fatia em cerca de 41,7%. Parte do montante, aproximadamente R$ 94 milhões, entrou via FIGA (Fundo de Investimentos do Galo), cuja captação de cotas não atingiu a meta de R$ 100 milhões; Rubens Menin se comprometeu a cobrir a diferença.
A direção afirma que cerca de 90% do aporte será destinado ao pagamento de dívidas bancárias, e o restante para suportar investimentos já realizados no futebol. O endividamento financeiro do clube gira em torno de R$ 654 milhões, segundo dados apresentados — a operação busca melhorar o fluxo de caixa e dar fôlego ao caixa de curto prazo.
A decisão reduz a exposição do clube a bancos no curtíssimo prazo, mas concentra maior peso econômico e político no grupo Menin, que atua como garantidor da solução para o insucesso parcial da captação via FIGA. A diluição de Daniel Vorcaro, já afastado do conselho e preso, elimina parte da incógnita sobre sua influência, mas também muda o mapa de governança. Em resumo: medida dá alívio financeiro imediato, mas amplia dependência de grandes acionistas e levanta questões sobre sustentabilidade e distribuição de poder na SAF.