O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) condenou o Santos a pagar R$ 6 mil por atraso na entrada em campo no clássico contra o Palmeiras, disputado no último sábado na arena do rival. A punição somou R$ 4 mil pelo artigo 191 e R$ 2 mil pelo artigo 206, referentes ao cumprimento de normas de jogo e ao atraso no início da partida. O episódio ficou marcado porque o time mandante entrou sozinho para a execução do hino nacional.
No julgamento desta sexta-feira, as partes mantiveram versões opostas. O Santos atribuiu o problema à atuação da Polícia Militar, que teria feito um trajeto inadequado e atrasado a chegada da delegação por conta do trânsito. A PM, por sua vez, diz que recebeu endereço do hotel errado e perdeu tempo com deslocamento entre bairros. O tribunal optou por multar o clube, decisão que a defesa considerou pouco severa e que, na prática, encerra o caso sem consenso sobre a responsabilidade.
Mais que o valor financeiro, o episódio expôs falhas operacionais que afetaram aquecimento, preparação e a rotina pré-jogo do Santos. Para um clube que busca profissionalizar logística e controle de imagem, a multa simbólica dificilmente corrige o custo esportivo e reputacional do incidente. Há também uma questão institucional: a necessidade de protocolos claros entre clubes e forças de segurança para evitar repetição em jogos fora de casa.
A decisão do STJD evita prolongar a disputa disciplinar, mas não resolve a dúvida central sobre quem errou na cadeia de comando do deslocamento. Se a solução for apenas pagar uma quantia pequena, permanece o risco de falhas semelhantes — com impacto direto no desempenho em campo e na confiança do torcedor e da própria equipe técnica.