O Santos parte para Ambato com a missão de confirmar a vaga nas quartas da Copa Sul-Americana diante do Macará, em 2.600 metros de altitude. A vantagem do Peixe é o triunfo por 2 a 1 na Vila Belmiro, mas a ausência de Neymar e Gabigol — que não viajaram por questões físicas — adiciona incerteza a um confronto em que a logística e a altitude pesam.
O recorte recente acentua a preocupação: em oito partidas sem Neymar e Gabigol o time soma apenas uma vitória, quatro derrotas e três empates, com aproveitamento de 25% dos pontos. Já com as duas estrelas lado a lado, em 16 jogos, o aproveitamento sobe para 52,08%. Os números deixam claro que, além do fator físico, pesa a dependência por um desempenho coletivo que ficou aquém quando as referências ofensivas estão ausentes.
A decisão da comissão técnica de preservar também Barreal e Igor Vinícius no CT Rei Pelé reflete prioridades: a permanência na Série A e o duelo pela Copa do Brasil contra o Palmeiras estão no radar imediato. O calendário e a preocupação com o revezamento em altitude motivaram a escolha, mas ela expõe a fragilidade do elenco em partidas decisivas e aumenta a carga de responsabilidade sobre os que viajaram.
Na prática, o Santos precisa de mais do que a vantagem construída na Vila: terá de mostrar coerência tática, resistência física e capacidade de administrar o jogo longe de casa. A passagem às quartas dependerá menos do nome dos titulares ausentes e mais da capacidade do grupo e da comissão de adaptar a estratégia à altitude e ao nervosismo de um jogo eliminatório. Caso contrário, a preservação — embora compreensível — pode virar alvo de questionamentos.