O São Paulo conquistou o objetivo principal na noite de terça-feira (28) em Bogotá: um empate sem gols com o Millonarios, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Com uma equipe recheada de reservas, a prioridade clara foi segurar o resultado fora de casa, mas o placar também deixou evidente a pobreza do repertório ofensivo do time.

Pela primeira vez com três zagueiros no desenho inicial, Roger Machado montou uma estrutura que protegeu bem os lados e priorizou dois volantes postados. A opção tática passou por esticadas para o chileno Tapia, que recebeu bolas pelo lado direito e fez uma partida de muita entrega, mas com decisões erráticas e pouca produção técnica. Do outro lado do campo, o ataque praticamente não existiu.

Os números reforçam a falta de criatividade: nove finalizações e apenas duas no alvo. O único susto de fato foi um escanteio cobrado por Cauly, com André Silva cabeceando e a zaga adversária salvando em cima da linha. Na defesa, a linha de três funcionou a contento, com Dória aparecendo mais como sobra e ainda sem ritmo ideal. Entre os jovens escalados, Djhordney teve atuação extremamente discreta e Nicolas pouco ofereceu apoio ofensivo e defensivo.

O resultado mantém o São Paulo em posição segura na chave, mas a leitura política do jogo é clara: quando o time opta por segurança e depende de poucos recursos ofensivos, fica vulnerável a partidas em que o detalhe decide. A partida em Bogotá serve como recado para a comissão técnica — manter solidez é necessário, mas sem alternativas criativas o clube corre risco de ter seu desempenho continental limitado no confronto com adversários que saibam anular as esticadas e forçar o Tricolor a criar pelo pé.