Entrou no segundo tempo e definiu: aos 50 minutos do segundo tempo, Sasa Kalajdzic colocou a bola na rede e selou a vaga da Áustria na segunda fase da Copa do Mundo 2026. O gol em um empate dramático com a Argélia transformou o centroavante de 28 anos e 2 metros numa figura central da campanha austríaca, ainda que sua presença em campo carregue mais riscos que certezas.
A trajetória do jogador é marcada por superação. Filho de pais que fugiram da Bósnia, Kalajdzic começou como meio-campista e ganhou atributos que vão além do jogo aéreo: controle e visão. Foi no Admira Wacker que virou profissional, depois passou pelo Stuttgart, onde viveu sua temporada mais produtiva — 17 gols em 36 partidas — e despertou o interesse do Wolverhampton, que pagou cerca de 15 milhões de libras pela contratação.
Mas a carreira avançou a passos cautelosos. Três rupturas do ligamento cruzado, um rompimento no tornozelo e uma fratura no pé interromperam ciclos justamente quando caminhava para consolidação. A rotina de empréstimos e retornos inclui passagem pelo Eintracht Frankfurt e volta ao clube inglês, até o retorno mais decisivo ao futebol austríaco pelo LASK Linz, onde participou diretamente de 16 gols em 27 jogos (sete gols e nove assistências) e reconquistou vaga na seleção.
No Mundial, Kalajdzic tem funcionado como um curinga de alto impacto: entra do banco e altera o jogo, mas a série de lesões coloca a seleção diante de escolhas estratégicas. A tendência é de que não seja escalado como titular contra a Espanha, e a Áustria depende de seu faro de gol e presença física sem poder contar com garantias de durabilidade. Resta à comissão técnica equilibrar risco e oportunidade: a classificação passou por ele, mas a trajetória adiante exigirá planejamento e alternativas.