Lionel Scaloni atingiu a marca de 100 jogos à frente da seleção argentina num momento em que o ciclo que ele ajudou a consolidar passa por nova prova: as oitavas de final contra o Egito. A contagem é, ao mesmo tempo, um atestado de estabilidade e um lembrete das escolhas que tiraram a Argentina de um período de baixa — incluindo a eliminação por 4 a 1 para a França em 2018 — e a levaram ao tricampeonato mundial.

A trajetória de Scaloni tem elementos improváveis: ex-auxiliar de Jorge Sampaoli, assumiu como interino e venceu resistências internas e externas, num cenário em que nomes consagrados recusaram o posto. Ganhou, crucialmente, a confiança de Messi e da AFA após a experiência na Copa América de 2019, quando, mesmo sem título, consolidou-se como opção definitiva para o comando.

No campo, o técnico mudou a proposta inicial — que privilegiava transições rápidas — para um modelo centrado na circulação e no controle do meio de campo, com Paredes, Lo Celso e De Paul como pilares. A aposta no chamado 'toco y me voy' reinventado e na conexão com a tradição do futebol potrero rendeu o apelido 'La Nuestra' e, em 2021, encerrou o jejum de 28 anos com a conquista da Copa América no Maracanã.

Os 100 jogos validam a leitura pragmática de Scaloni, mas não eliminam desafios: a equipe chega ao mata-mata com sinais de cansaço — a Argentina tem uma das maiores médias de idade do torneio — e enfrenta adversários que exigem ajustes rápidos. Se a flexibilidade tática foi o diferencial até aqui, a manutenção do rendimento físico e a gestão do elenco serão decisivas para que a 'Scaloneta' siga justificando a efetivação do técnico.