O apito inicial de Argentina x Cabo Verde, pela segunda fase da competição, consagra um número raro na história da seleção: Lionel Scaloni completará 100 jogos no comando da equipe. Aos 48 anos e perto de completar oito temporadas, o técnico soma 78 vitórias e quatro títulos, um desempenho que transformou sua passagem em referência no futebol argentino contemporâneo.
O ciclo de Scaloni inclui conquistas que quebraram jejuns históricos: a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024. Esses resultados explicam a estabilidade do projeto técnico, a confiança de peças-chave do elenco e a manutenção de um perfil vencedor diante da pressão por resultados imediatos.
Em termos de longevidade, Scaloni aproxima-se de marcas antigas: somente um treinador teve mais partidas à frente da seleção — Guillermo Stábile — e César Luís Menotti aparece como outro exemplo de permanência, com nove anos no comando, 81 jogos e 43 vitórias entre 1974 e 1983. Stábile, por sua vez, acumula mais títulos continentais no futebol argentino, cenário que reduz a comparação estritamente numérica ao campo simbólico do legado.
A AFA divulgou ainda estatísticas que ilustram a penetração do técnico no grupo: Rodrigo De Paul (89 jogos sob o comando), Lautaro Martínez (79) e Nicolás Otamendi (77). Lionel Messi aparece com 74 partidas na era Scaloni e 58 gols — quase metade dos tentos do camisa 10 pela seleção. Apesar do sucesso, Scaloni mantém discrição sobre uma eventual renovação de contrato, o que deixa em aberto a discussão sobre continuidade e sobre como a federação administrará a transição quando for necessária.