Na vitória suada por 3 a 2 sobre Cabo Verde, que selou a classificação da Argentina às oitavas de final, o técnico Lionel Scaloni chamou atenção pela postura: em todos os três gols — de Messi, de Lisandro Martínez e pelo contra de Diney Borges — o treinador permaneceu praticamente imóvel, com o olhar fixo no gramado, sem celebrar junto à equipe.

As imagens repetidas da área técnica contrastaram com a efusividade dos jogadores e deixaram claro um recado não verbal sobre o jogo: apesar do placar a favor, a partida não foi tranquila. A atitude de Scaloni ressaltou a impressão de tempo vivido sob tensão, mais de cautela do que de alívio.

Questionado após o confronto, o treinador reconheceu que a aparência de serenidade não correspondia ao que sentia: afirmou ter passado angústia até o apito final e justificou a reserva como fruto da preocupação com possíveis oscilações e com a pressão do adversário, que transformou a partida em um teste de resistência.

A seleção agora encara o Egito nas oitavas, em Atlanta, na próxima terça-feira. A imagem de um técnico contido, mesmo diante de gols e da classificação, serve como aviso: o avanço não apaga fragilidades exibidas em campo, e a capacidade de manter equilíbrio sob pressão será determinante nas fases eliminatórias.