O Fluminense entra no clássico contra o Botafogo com um peso incomum: são seis partidas sem vencer rivais cariocas, a segunda maior sequência negativa do clube desde 2019. A última vitória em clássicos aconteceu em 22 de fevereiro, quando o Tricolor bateu o Vasco por 1 a 0 no Nilton Santos; desde então, o time soma três empates e três derrotas contra Vasco e Flamengo.

A série negativa inclui resultados que repercutiram além da tabela: empate na volta da semifinal do Carioca, perda do título estadual nos pênaltis para o Flamengo e eliminação nas oitavas da Copa do Brasil para o Vasco. No Maracanã, a reação da torcida foi dura — Zubeldía chegou a ser vaiado — e o momento de instabilidade coincide com uma queda de rendimento que preocupa elenco e diretoria.

O único alívio no retrospecto recente é o confronto com o Botafogo: o Fluminense venceu os últimos três duelos sem sofrer gols. A primeira vitória dessa série, por 2 a 0, marcou a estreia de Zubeldía no comando do clube; depois vieram dois 1 a 0, um pelo Estadual e outro pelo Brasileiro. Esse histórico dá ao treinador uma base para trabalhar, mas não apaga as falhas exibidas nas demais partidas.

A pressão é prática e política: além do impacto na confiança do grupo, a sequência complica a leitura do projeto técnico e aumenta a cobrança sobre escolhas táticas e gestão do elenco. Se o jejum em clássicos persistir, Zubeldía corre o risco de ver esgotar-se a paciência interna e pública, e o clube terá de decidir se prioriza reação imediata ou mudanças estruturais para recuperar prestígio e resultados.