A pouco mais de dois meses da estreia na Suécia, a Seleção brasileira escolheu Araxá, no interior de Minas, para uma etapa decisiva da preparação rumo à Copa de 1958. Entre 20 e 27 de abril os jogadores se hospederam no Grande Hotel do Barreiro, conciliando trabalhos táticos e físicos com descanso em um ambiente distante da pressão dos grandes centros.
Antes da passagem por Araxá a delegação já havia treinado em Poços de Caldas. Na cidade mineira, Vicente Feola manteve a rotina de observação e ajuste: dividiu o elenco em dois times — o amarelo, com os considerados titulares, e o azul, com os prováveis reservas — e promoveu um jogo-treino no estádio local, o Fausto Alvim, cuja movimentação levou o prefeito a decretar feriado municipal naquele dia. O confronto terminou 3 a 1 para o time amarelo, com gols de Canhoteiro, Pelé e Vavá.
A preparação chamou atenção pela ênfase em definição rápida das jogadas — os atletas eram orientados a tocar no máximo duas vezes na bola — e por cuidados práticos: um dentista integrado à delegação fez atendimentos intensos, obrigando jogadores como o goleiro Gilmar e Garrincha a se ausentarem de treinos para procedimentos. Feola avaliou a etapa como um dos mais importantes coletivos antes do embarque.
O hotel oferecia facilidades pouco usuais na época: as águas termais foram usadas diariamente para banhos terapêuticos e as massagens ajudaram a reduzir tensões musculares. Nos momentos livres, Pelé e Garrincha chegaram a ser fotografados em uma pescaria nos lagos do complexo, imagem que virou símbolo do equilíbrio entre trabalho e descanso na rotina da equipe.
Depois de Araxá a seleção seguiu para o Rio de Janeiro, realizou amistosos no Maracanã e teve a lista final definida para a viagem à Suécia. A semana no Grande Hotel do Barreiro não foi apenas um episódio de lazer: foi uma etapa estruturada de testes, ajustes e convívio — elementos que contribuíram para a formação do grupo que traria a primeira estrela ao peito brasileiro.