A vitória por 2 a 1 sobre o Egito ofereceu alguns motivos para otimismo, mas ampliou a sensação de que a Seleção ainda caminha como se estivesse em teste final. A pressão alta rendeu bons momentos no primeiro tempo e resultou no gol de Bruno Guimarães — a iniciativa coletiva funcionou ofensivamente, com recuperações altas e transições rápidas —, mas esse mesmo modelo deixou a retaguarda exposta com frequência.

No aspecto defensivo as falhas foram claras: o cobertor tático do time de Ancelotti mostrou-se curto. Zagueiros passaram a ser vencidos em duelos e obrigados a corridas em esforço reativo. Ibãñez teve desempenho superior ao de Marquinhos, que, além de cometer erro no gol adversário, sofreu em vários embates. Essa fragilidade representa um custo que pode ser caro diante de seleções de maior nível técnico e organização tática.

No meio e no ataque, Lucas Paquetá foi ponto positivo, propondo jogo e fazendo desarmes importantes, mas a Seleção repetiu a incapacidade de controlar o ritmo: as investidas muitas vezes ocorreram na base da aceleração e da correria, sem cadência. Vinicius Jr. e Raphinha tiveram atuações discretas, enquanto Endrick voltou a entrar como chama ofensiva, com movimentação e presença de área que resultaram no gol da vitória — e que deixam dúvidas sobre a escolha titular, já que o técnico não sinalizou confirmação imediata.

O corte de Wesley por problemas musculares adiciona um problema prático ao plano de Ancelotti: menos opções e ajustes correndo contra o relógio, com a estreia oficial a poucos dias. O técnico afirmou ter um time em mente, mas a combinação de vulnerabilidade defensiva, falta de controle de jogo e indefinição sobre a referência atacante transforma os próximos dias numa corrida por soluções concretas, não apenas por sinais promissores em amistosos.