Depois de 36 anos, as semifinais de uma Copa do Mundo voltam a ser compostas exclusivamente por seleções que já ergueram o troféu: França, Espanha, Inglaterra e Argentina. A configuração será definida em dois jogos de peso: França x Espanha, terça-feira em Dallas, e Inglaterra x Argentina, quarta-feira em Atlanta. Além da carga histórica, o torneio confirma um dado raro: os quatro primeiros colocados do ranking da Fifa chegaram às semifinais pela primeira vez.

O recorte histórico reforça a dimensão do momento. Só houve dois episódios semelhantes: em 1970, com Brasil, Itália, Alemanha Ocidental e Uruguai, e em 1990, quando as quatro vagas foram ocupadas por campeões. A presença de ex-campeões costuma elevar a expectativa por partidas de alto nível técnico, mas também amplia a pressão sobre favoritos, que passam a disputar não só a vaga como a reputação construída em décadas.

A rivalidade entre Inglaterra e Argentina carrega capítulos dramáticos, desde o confronto de 1966 com Antônio Rattin até o duelo de 1986 marcado pelos dois gols históricos de Maradona, incluindo a polêmica 'Mão de Deus'. Do outro lado, França e Espanha repetem embate recente e aberto: lembranças da Liga das Nações e da capacidade de viradas traduzem um duelo imprevisível, mesmo entre seleções que se conhecem bem.

Do ponto de vista individual, o brilho de estrelas como Messi — já com 21 gols em Mundiais — amplia o apelo do confronto contra a Inglaterra. Para as quatro seleções, a presença conjunta nas semifinais é um selo de consistência; para o torneio, é uma narrativa que reúne tradição, rivalidade e expectativa por finais que prometem reescrever histórias já consagradas.