O Sport saiu derrotado por 3 a 1 para o Náutico, neste sábado nos Aflitos, e voltou para Recife com mais do que a conta de gols sofridos: a troca feita por Mariano Soso no intervalo desmontou o setor que vinha sustentando o time. A entrada de Juan Alano no lugar de Fernando Sobral reduziu a proteção na cabeça de área, abriu corredores entre linhas e permitiu que Jean Carlos assumisse o jogo com um gol e uma assistência.
No primeiro tempo, o clássico caminhava equilibrado e o time rubro-negro oferecia resistência. O ajuste que precisava ser feito, segundo analistas, era mais nas laterais defensivas do que no miolo do meio-campo. Ainda assim, a opção por tirar Sobral — um dos responsáveis pela recomposição — deixou Willian Oliveira exposto e acelerou a perda de controle após o intervalo. A recomposição só veio mais tarde, com a entrada de Patrick de Paula, mas já era tarde para reverter a vantagem pernambucana.
O resultado expõe dois problemas práticos: o rendimento como visitante e a margem de erro tática em um momento decisivo da Série B. Com 44 pontos, o Sport permanece na nona posição e vê o G-6 se distanciar, tornando a rota de acesso mais complicada. Para um técnico em apenas sua quarta partida no clube, a derrota acende sinais de alerta e aumenta a pressão sobre a comissão técnica, sem, porém, apagar limitações já acumuladas ao longo da temporada.
Na prática, o revés interrompe o embalo trazido pela vitória sobre o Juventude e alarga a lista de prioridades: ajustar laterais, recuperar consistência defensiva fora de casa e definir quem garante proteção ao setor central. O tempo é curto e a reta final exige decisões que não apenas pareçam corretas no papel, mas que se sustentem em campo — algo que Soso precisa provar nas próximas rodadas.