O supercomputador da Opta, referência em análise estatística de futebol, simulou cerca de 10 mil cenários para projetar os confrontos da segunda fase da Copa do Mundo de 2026. Na avaliação da plataforma, o Brasil aparece como favorito no jogo contra o Japão, com probabilidade próxima de 70% de avançar às oitavas. O levantamento reforça a percepção de que, no papel, a seleção brasileira tem vantagem técnica sobre o rival asiático, apesar das variações inerentes a partidas eliminatórias.

A própria Opta já havia indicado a Espanha como favorita ao título do torneio em projeções anteriores, e agora detalha probabilidades por confronto. O estudo também destaca extremos: a Argentina tem 87,87% contra Cabo Verde (12,13%), enquanto o duelo mais parelho aparece entre Egito e Austrália, com 54,34% e 45,66% respectivamente. Esses números mostram que, além de favoritos claros, há chaves com equilíbrio que podem decidir o rumo do torneio por detalhes táticos e circunstâncias de jogo.

A comparação com outras projeções domésticas rende contraste: a Escola de Matemática Aplicada da FGV atribuiu 15,57% de chance à Espanha e apenas 4,68% ao Brasil em sua própria modelagem — resultado que diferencia metodologia e pressupostos sobre força de elencos e aleatoriedade. Modelos distintos usam variáveis e pesos diferentes; isso reforça que projeções são retratos probabilísticos, não previsões definitivas. Para técnicos e dirigentes, porém, números altos de probabilidade significam margem de erro reduzida e expectativa de cobrança em caso de eliminação.

Do ponto de vista esportivo, a projeção da Opta alivia a pressão imediata sobre a seleção antes do duelo com o Japão, mas não elimina desafios futuros: partidas de mata-mata exigem leitura de jogo, preparo físico e minimização de erros pontuais. Para a torcida e a comissão técnica, a cifra próxima de 70% funciona como referência operacional — há obrigação de confirmar em campo. E para adversários e analistas, os dados ajudam a mapear rotas de ataque: o favoritismo estatístico transforma-se em alvo tático no momento em que o apito inicial soa.