Entre flores, velas e imagens religiosas, uma foto de Matheus Cunha ocupa lugar de destaque no altar montado na sala de Barão Xavier, treinador que o acolheu ainda criança no CT Barão, no Recife. A imagem — levada para o canto da casa após a convocação à Seleção — representa mais do que afeto: simboliza a ligação entre base e carreira profissional, com todas as dificuldades superadas pelo atleta.

Formado no projeto que resiste há mais de três décadas, Cunha voltou ao CT para retribuir: doou chuteiras, autografou camisas e participou de atividades com os meninos. O histórico inclui lesões e mudanças de posição que marcaram sua trajetória — o tornozelo quebrado na adolescência, o corte que virou virada de carreira e a ascensão até a Seleção, onde marcou dois gols contra o Haiti e um contra a Escócia na Copa.

O CT Barão é também provedor de talentos: nomes como Nino, Raniel e Otávio figuram entre revelações que passaram pela escolinha. A presença contínua de Barão na vida de Cunha evidencia o papel social de centros de formação no Nordeste, que funcionam como rede de apoio e oportunidade em municípios onde o investimento público e privado na base é escasso.

Na ponta prática, o projeto segue ativo: o CT vai levar quatro categorias ao Rio de Janeiro para dar rodagem aos jovens, e mantém a missão de transformar promessas em carreira. Para o jogador, o gesto de manter o técnico no altar é sinal de gratidão; para a comunidade, a relação reforça a importância de manter estruturas locais que viabilizem trajetórias como a de Cunha.