O sentimento dominante no CT Abdias Queiroz virou apreensão: o treinador Queiroz Filho se emocionou ao relatar a dificuldade de viabilizar a viagem de quatro campeões brasileiros ao Campeonato Pan-Americano de Judô, marcado para 28 e 29 de novembro em Cancún (MEX). Liara Sousa, Gabriel Galeno, Amanda Silva e Guilherme Costa garantiram vaga no tatame pelo desempenho na temporada, mas ainda não têm recursos suficientes para representar o Brasil no continente.

A conta é simples — e pesada: a delegação precisa levantar cerca de R$60 mil para cobrir passagens, inscrições e despesas de logística. Com pouco mais de um mês até a competição, atletas, familiares e comissão técnica intensificam a busca por patrocínio, doações e alternativas de custeio. A rotina de treinos se mantém, mas a incerteza financeira pesa sobre a preparação de garotos de 11, 12 e 14 anos que conciliam escola, deslocamentos longos e sacrifício familiar para seguir no projeto.

O caso expõe um problema recorrente do esporte de base: resultados nacionais não têm garantia automática de apoio para transformarem-se em experiência internacional. Quando categorias formadoras dependem de vaquinha, contatos informais ou gesto de emergência — como a sugestão de pedir dinheiro em semáforo citada pelo técnico —, a competitividade e a trajetória de talentos ficam vulneráveis. Além do prejuízo esportivo, há um custo social: famílias que já fazem sacrifícios podem ver oportunidades desperdiçadas por falta de estrutura de financiamento.

A decisão agora é prática e urgente. Enquanto o CT mantém a preparação visando pódios, a comissão e os familiares continuam procurando patrocinadores e apoios institucionais. O cenário define um teste rápido para a rede de suporte ao esporte jovem no estado: ou surge resposta imediata do setor público e privado, ou quatro representantes piauienses podem perder a chance de competir pelo Brasil em um palco continental.