Setembro fechou com uma onda de mudanças que mexeu no ranking dos treinadores mais longevos do país. Nos últimos 30 dias, comandos saíram no Gre-Nal, Náutico e Criciúma — com Hélio e Guilherme do Anjos demitidos em Pernambuco e Eduardo Baptista deixando o Criciúma para aceitar convite do Inter — e Mazola Júnior teve o ciclo encerrado no Ituano após a eliminação na fase inicial da Série C.
Com as saídas, a liderança absoluta segue com Abel Ferreira: no Palmeiras desde novembro de 2020, o português caminha para completar seis anos à frente do clube — um tempo raro no futebol brasileiro. A permanência de Abel, destacada pela confiança da presidente Leila Pereira, oferece ao clube uma estabilidade tática e institucional pouco comum no país, mas também concentra a responsabilidade política sobre resultados e escolhas do futebol.
Na sequência aparece Rogério Ceni, no Bahia desde setembro de 2023. O técnico já soma três temporadas e sua equipe vem subindo de patamar: o Tricolor aparece entre os concorrentes a vagas na próxima Libertadores. Em terceiro, Leston Júnior mantém trajetória longa no Floresta — com passagens desde 2020 e retorno em março de 2025 — e tenta levar o clube cearense a mais um avanço nas divisões.
Fecham o top‑5 treinadores que assumiram projetos distintos: Rafael Guanaes, no Mirassol desde março do ano passado, que teve 2025 histórico e agora batalha pela permanência; e Odair Hellmann, no Athletico desde maio de 2025, responsável pela volta à Série A e por campanha consistente nesta temporada. O contraste entre esses bolsões de estabilidade e a rotatividade recente traduz um dilema do futebol brasileiro: a troca constante de treinadores complica planejamento e aumenta custos de transição, enquanto ciclos longos podem ser diferencial para coerência esportiva e administrativa.