O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, adotou tom cauteloso ao comentar três frentes que mexem com o clube: a condição física de Neymar, a janela de transferências e a negociação para transformar o Santos em SAF. Em entrevista, ele minimizou a polêmica em torno da lesão muscular do craque, afirmou que Neymar teria condições de atuar mesmo sem estar 100% e aprovou a condução da CBF e do departamento médico em priorizar a preparação para a Copa do Mundo. O ex-jogador Nenê Belarmino também foi citado no debate sobre as expectativas para o Mundial.
Sobre contratações, Teixeira deixou claro que o objetivo é reforçar o elenco com pragmatismo: "pé no chão" e sem criar ilusões ao torcedor. O dirigente afirmou haver prioridades técnicas apontadas pelo departamento, que o clube estuda saídas e entradas e que as chegadas visam dar mais qualidade ao grupo para as próximas competições, sem prometer apostas mirabolantes.
No plano societário, o presidente confirmou interlocuções com um grupo interessado e citou a alteração estatutária aprovada no Conselho Deliberativo que permite venda de até 80% do clube — ele disse aguardar o agendamento da reunião com o quadro associativo para avançar. Também negou qualquer participação do pai de Neymar como acionista da operação. Teixeira revelou ainda que, pela legislação, existem possibilidades diferentes de percentual, mencionando que hoje o clube detém 49% em determinado contexto.
O tom de cautela tem dupla leitura: por um lado, sinaliza responsabilidade fiscal e atenção à sustentabilidade do clube; por outro, expõe limites práticos na disputa do mercado por reforços de impacto. Ao evitar dourar a pílula sobre nomes e trazer a SAF como condicionante, a diretoria restringe expectativas e transfere ao associativismo a decisão sobre o futuro societário e financeira do clube.
A agenda imediata é administrativa e estratégica: definir reforços alinhados ao elenco sem comprometer equilíbrio e resolver, em prazo e com transparência, a votação que permitirá ou não o avanço da SAF. O desfecho dessa negociação terá impacto direto sobre o poder de investimento do Santos nas próximas janelas e sobre a capacidade do clube de conciliar ambição esportiva com responsabilidade financeira.