Há 20 anos o futebol brasileiro perdeu Telê Santana, técnico que virou sinônimo de futebol-arte. Mineiro de Itabirito, ídolo do Fluminense como jogador — apelidado de "Fio de Esperança" —, Telê construiu uma carreira de 27 anos à beira do gramado que atravessou grandes clubes e episódios decisivos da nossa história futebolística.

Como treinador, colecionou títulos importantes: levou o Atlético-MG ao primeiro Campeonato Brasileiro em 1971, venceu estaduais com Grêmio e Atlético e teve a consagração máxima no São Paulo, onde conquistou duas Libertadores e dois Mundiais, inclusive o título de 1992 que confirmou sua obra técnica em nível global.

Na Seleção, as campanhas de 1982 e 1986 ficaram marcadas pela proposta ofensiva e pelo encantamento do público, mesmo sem o título. A postura de Telê — coerente com princípios estéticos e táticos — expôs uma escolha de projeto esportivo que muitas vezes entra em contradição com a prioridade atual por resultados imediatos e pragmatismo.

Vinte anos após a sua morte, o legado de Telê persiste como referência para treinadores e clubes que buscam identidade de jogo. É também um convite à reflexão sobre prioridades do futebol brasileiro: eficiência e resultado ou um futebol que dialogue com técnica, formação e espetáculo.