Às vésperas da estreia na Copa do Mundo, a Austrália recebeu um reforço improvável: Tete Yengi, centroavante de 1,97m, marcou no amistoso contra a Suíça e entra na lista do Mundial por conta da grave lesão do irmão Kasuni. A imagem do jogador — alto, pouco ortodoxo e com trajetória irregular — contrasta com a pressa da comissão técnica em preencher a vaga deixada pelo artilheiro das Eliminatórias.
A carreira de Tete é de elevação rápida e em degraus. Passagens modestas pelo Ipswich Town (onde nem estreou), experiências sem brilho na Finlândia e na quarta divisão inglesa deram lugar a um crescimento a partir de 2024 no Livingston, na Escócia, e à sequência no Machida Zelvia, do Japão. No Livingston acumulou 18 gols e 7 assistências em 83 jogos; no Japão ajudou a equipe a conquistar espaço continental, atraindo a atenção da seleção.
A convocação sem testes prévios em amistosos ou participação nas Eliminatórias expõe um dilema: Popovic optou por um substituto com pouca rodagem internacional, mas com perfil físico para disputar pivô e jogo aéreo. A estreia com gol contra a Suíça alivia a crítica imediata, mas não apaga o risco de falta de entrosamento num torneio de alto nível — sobretudo porque Kasuni, que marcou seis gols nas Eliminatórias, era peça já testada pelo técnico.
Há também o componente humano que acompanha a história: filho de Ben, refugiado do Sudão do Sul, Tete simboliza uma trajetória familiar de superação e mobilidade social. Isso confere legitimidade à torcida e mídia, mas no plano estritamente esportivo o que vale será a capacidade do atacante de manter a regularidade e se adaptar ao ritmo de jogo da equipe australiana na Copa.