John Textor, afastado do comando operacional da SAF do Botafogo no fim de abril, disse ter enviado ao clube social — hoje único acionista com poder político — uma proposta de reorganização do relacionamento entre as duas instâncias. Batizada por ele de 'SAF/Social 2.0', a iniciativa foi encaminhada por e‑mail a dirigentes e conselheiros no último sábado.

No documento, segundo Textor, o primeiro ponto seria o aceite do social a um aporte de US$ 25 milhões dentro do ambiente da recuperação judicial. O empresário não detalhou a origem dos recursos nem o formato financeiro. Também condicionou acordos com o Lyon a recebimentos do social superiores a US$ 35 milhões, mantendo as disputas jurídicas em curso com representantes da Eagle Football.

A proposta reacende a tensão sobre quem decide as prioridades do clube: a SAF, com foco operacional e financeiro, ou o associativismo, detentor do poder político residual. A demanda por um aporte significativo dentro da recuperação judicial levanta dúvidas práticas sobre a viabilidade e a transparência do eventual negócio, além de potencialmente tensionar membros do conselho que passaram a representar o social na SAF.

No plano esportivo a incerteza administrativa pode repercutir rapidamente: mudanças no comando e disputas internas costumam refletir em planejamento e em ambiente de trabalho. Com o time em campo contra o Atlético‑MG, qualquer ruído institucional tem efeito direto sobre clima no vestiário e percepções da torcida, que acompanha com ceticismo pedidos de intervenção sem clareza sobre contrapartidas.

A iniciativa de Textor exige resposta por escrito do clube social e explicações sobre a origem dos recursos e limites jurídicos da recuperação. Se aceita, pode recompor uma ponte entre as partes; se rejeitada ou mal explicada, tende a ampliar a disputa institucional e a exigir decisões claras do Conselho de Administração.