A oposta Tifanny, do Osasco São Cristóvão Saúde, pronunciou-se publicamente pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar uma nova política que veta a participação de pessoas trans em competições femininas, restringindo a disputa a atletas designadas com sexo biológico feminino ao nascer. A jogadora, que estreou na Superliga em 2017 e foi campeã nacional em 2025, classificou a mudança como um retrocesso e afirmou que não abandonará a carreira nem a visibilidade conquistada.

A medida, divulgada pela CBV na sexta-feira (14), altera o critério de elegibilidade adotado até então — que considerava níveis de testosterona sérica — e passa a exigir, entre outros pontos, a apresentação de resultado negativo para o gene SRY. Segundo a confederação, a intenção é alinhar-se a parâmetros do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A nova regra já vale para as edições deste ano da Superliga e da Supercopa e será aplicada à Copa Brasil e ao Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.

A fala de Tifanny ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, no sábado (15), no Ginásio José Liberatti, quando a Federação Paulista de Volleyball (FPV) permitiu que o torneio seguisse sob o regulamento vigente desde seu início. A oposta marcou 19 pontos na partida — muito comemorados pela torcida —, mas o Osasco foi superado pelo Pinheiros por 3 a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11. A FPV informou que analisará, com áreas jurídica e de saúde, eventuais medidas para as próximas competições.

O pronunciamento e a manutenção da escalação por parte da federação estadual expõem uma fragmentação na governança do voleibol nacional e abrem espaço para contestações políticas e jurídicas. Tifanny ressaltou que a norma atinge não só sua carreira, mas também o clube, a torcida, patrocinadores e quem se inspira em sua trajetória. Do ponto de vista administrativo, a CBV passa a conviver com risco de desgaste público e pressão de diferentes atores — atletas, federações estaduais e instâncias internacionais — sobre critérios que misturam ciência, direitos e imagem do esporte.

A movimentação coloca o voleibol brasileiro em um debate que transcende a quadra: além da disputa esportiva, está em jogo a forma como confederações e clubes tratarão inclusão, regulatórios e possíveis repercussões comerciais. A FPV, ao adiar a aplicação da nova política para o Paulista, sugere um duelo institucional que promete influenciar decisões e posições até as próximas competições — enquanto Tifanny diz que adotará todas as medidas possíveis para defender sua permanência no esporte.