O gol da vitória sobre a Chapecoense ressaltou uma característica que acompanha Tiquinho Soares: o poder aéreo. No retorno ao Botafogo, o atacante marcou com a cabeça e, somando as duas passagens pelo clube, chegou a 45 gols — dez deles de cabeça, o que representa 22,22% do total com a camisa alvinegra.

A relevância individual de Tiquinho fica ainda mais evidente quando confrontada com os números do time em 2026. O Botafogo fez 77 gols em jogos oficiais nesta temporada, apenas dez foram de cabeça, ou 12,99% do total. A última finalização aérea antes do gol do atacante havia saído em setembro, em um lance de Vitinho contra o Bragantino; Barboza, que teve o maior aproveitamento pelo alto no início do ano (dois gols), já havia deixado o clube rumo ao Palmeiras antes da Copa.

A distribuição dos gols pelo alto durante o ano mostra dispersão: entre os dez marcados na temporada, apenas um foi de Tiquinho, enquanto os outros nove foram divididos entre oito jogadores diferentes. Ainda assim, o histórico pessoal do atacante no Botafogo — presença de área, força em disputas e aproveitamento em cruzamentos e escanteios — o coloca como alternativa tática clara para Tite, que o lançou no lugar de Arthur Cabral contra a Chapecoense.

Na reta final da temporada, explorar mais o jogo aéreo com Tiquinho pode abrir variações ofensivas e forçar ajustes defensivos dos rivais, principalmente em partidas em que o ataque terrestre encontra resistência. Ao mesmo tempo, a comissão técnica precisa balancear essa opção com outras fontes de criação para não tornar o time previsível. Os números deixam claro: o potencial está aí, cabe ao clube transformar a arma individual em vantagem coletiva.