A chegada de Tite ao comando do Botafogo marca o fim de um ciclo de treinadores associados à gestão de John Textor. Foram nove técnicos contratados durante a passagem do empresário pela SAF; a nova direção, com a GDA como investidora e João Paulo Magalhães Lins à frente do associativo, optou por um nome de peso e contrato longo na tentativa de dar previsibilidade ao clube.
O acerto com Tite veio após a demissão de Franclim Carvalho — que esteve 135 dias no cargo — e a passagem interina de Rodrigo Bellão. O treinador assinou até dezembro de 2028, data que coincide com o término do mandato de João Paulo no associativo. Gabriel de Alba, novo investidor, acompanhou o processo e deixou explícito o objetivo: um trabalho perene, à imagem do modelo que cita como referência no mercado.
Na prática, porém, o cenário exige paciência e resultados. Tite teve apenas dois treinos antes da estreia, que terminou em derrota para o Mirassol. O período da Data Fifa surge como janela necessária para ajustar metodologia e implantar um modelo de jogo — mas também aumenta a pressão: um contrato longo eleva expectativas internas e externas sobre continuidade e desempenho.
Politicamente, a contratação sinaliza mudança de rumo e tentativa de dar coesão ao projeto da SAF, após quase uma década de trocas frequentes no banco. Economicamente e institucionalmente, a aposta em um técnico consagrado busca reduzir o custo da instabilidade, mas concentra no treinador a responsabilidade por resultados que determinarão a margem de manobra da nova gestão. O teste prático começa no clássico contra o Vasco, em 7 de outubro.