A estreia de Tite no comando do Botafogo terminou em derrota por 2 a 0 contra o Mirassol e deixou claro o tamanho do trabalho pela frente. Mais do que emoções explícitas, a imagem dominante foi a de um técnico voltando ao gramado depois de meses, sempre em pé, mãos na cintura e com postura de quem analisa cada detalhe do jogo.
Ao longo da partida o diálogo com a comissão foi constante. Rodrigo Bellão, que vinha como interino e foi mantido como auxiliar, apareceu trocando instruções rápidas com Tite; Marcelo Salles, o 'Fera', ficou responsável pela tela de revisão e esteve ao lado do treinador em várias ocasiões; Matheus Bachi teve participação mais discreta. As substituições saíram após essas conversas curtas, mostrando uma montagem coletiva de decisões no banco.
Os dois gols do Mirassol — aos 16 e nos acréscimos do primeiro tempo — praticamente não provocaram reações efusivas de Tite. Em ambos os momentos o treinador preferiu consultar a imagem, revisar posicionamentos e voltar a orientar nomes como Medina e Vitinho. Na parada técnica ele foi mais enérgico, cobrando maior participação de jogadores como Huguinho na saída de bola e ajustando a marcação, mas a necessidade de gancho tático ficou evidente.
No intervalo o Botafogo voltou com três mudanças (Edenílson, Júnior Santos e Zieych) e, ainda no segundo tempo, Villalba e Kauan Toledo também foram acionados após nova conversa com os auxiliares. Apesar das mexidas, a produção ofensiva não apareceu como esperado. A estreia de Tite teve, portanto, mais caráter de diagnóstico e desenho de ajustes do que de solução imediata — e o treinador deixou o estádio direto para o vestiário ao fim do jogo, sinalizando foco no trabalho a seguir.