Com a vitória sobre o Avaí que confirmou a permanência na Série B de 2027, o Náutico já não tem objetivos na tabela nas duas rodadas finais. Ainda assim, uma parte da torcida apontou um novo alvo: perder o próximo jogo, em casa contra o CRB, para prejudicar o Sport na briga por uma vaga no playoff do acesso — Sport e CRB chegam ao confronto empatados com 55 pontos.

A cena é incomum, mas não inédita no futebol brasileiro. Torcedores eventualmente pedem ao próprio time que facilite resultados quando isso pode afetar um rival direto. Em 2003, por exemplo, após vitória sobre o Náutico, usados em tom de provocação, os dirigentes do Sport projetaram no telão a pergunta: “E aí, o Náutico vai abrir?”. Na última rodada daquele turno, o Santa Cruz venceu o Timbu por 3 a 0; o ídolo Kuki saiu do gramado revoltado e pediu para ser substituído no intervalo.

E aí, o Náutico vai abrir?

Outro caso lembrado aconteceu no Paulista de 2004. O Corinthians perdeu em casa para a Portuguesa Santista e ficou dependente de Juventus x São Paulo; o Tricolor venceu por 2 a 1, com dois gols de Grafite, e impediu o rebaixamento alvinegro. Torcidas do Pacaembu chegaram a gritar “entrega, entrega” durante a partida, pedindo que um time desinteressado favorecesse o rival.

Há exemplos ainda mais antigos: no Brasileiro de 1992, o Vasco fez 3 a 0 sobre o São Paulo e acabou favorecendo o Flamengo na disputa; em 1996, o rebaixamento do Fluminense teve relação direta com o resultado de Flamengo x Bahia, que terminou 1 a 0 e contou com duas expulsões no time rubro-negro. Esses episódios mostram que, apesar do desconforto ético, a pressão da arquibancada por resultados que prejudiquem adversários é parte da tradição do torcedor.