O Tottenham entrou na temporada com uma das janelas de maior gasto da Europa — cerca de 320 milhões de libras (R$ 2,2 bilhões) — e já amarga um contraste explícito entre investimento e resultado. Com o empate sem gols contra o Everton, o clube chegou a quatro partidas seguidas na Premier League sem balançar a rede, somando 51 finalizações sem sucesso. É a primeira vez na história do time, em 144 anos, que começa uma edição do Campeonato Inglês sem marcar.
O início ruim custou ao Tottenham a 17ª posição na tabela, a pior colocação entre o chamado 'Big Six'. Foram dois empates e duas derrotas nas quatro rodadas, com cinco gols sofridos. Em campo, o elenco recebeu reforços de peso — Savinho, Marmoush, Mudryk, Robertson, Van Hecke, Adarabioyo, Senesi, Tonali, Mateus Fernandes e Dúbravka — mas a quantidade de contratações não se traduziu, até aqui, em produção ofensiva nem em regularidade defensiva.
A diretoria também enfrenta questionamentos por decisões de elenco: Richarlison não foi inscrito para a Premier League e, fora do clube, recusou proposta longa do Vasco, que descartou a compra em definitivo. Técnico do time, Roberto De Zerbi demorou quase uma hora para aparecer à coletiva e atribuiu o problema à falta de confiança, sem esconder o incômodo. Há, além disso, o dado genérico que ilustra a inconsistência: na Copa da Liga o Tottenham goleou o Charlton por 5 a 1, mostrando que o problema não é absoluto, mas sim de regularidade e aplicação.
O conjunto de gastos vultuosos, rendimento frágil e decisões pontuais de registro já virou alvo de críticas da torcida e da imprensa local. A consequência imediata é prática: pressão sobre De Zerbi, necessidade de ajuste tático e retorno rápido aos gols para evitar que o início ruim se transforme em prejuízo de pontos e reputação para um clube que diz mirar alto. O calendário não permite tranquilidade — o próximo jogo é contra o Aston Villa pelo Campeonato Inglês, e antes o time visita o Liverpool pela Copa da Liga.