O lateral-esquerdo Mahmoud Hassan, mais conhecido como Trezeguet, será titular do Egito contra o Brasil neste sábado, às 19h (de Brasília). O apelido, herdado do ex-craque francês, acompanha o jogador desde a infância e acabou virando sua identidade pública. Trezeguet é um dos três remanescentes da seleção egípcia que esteve na Copa do Mundo de 2018, ao lado de Mohamed Salah e Mohamed El Shenawy, e chega ao duelo com bagagem internacional e rotina consolidada na equipe.

Na seleção desde as categorias de base, Trezeguet soma passagem por importantes competições e tem participação decisiva em momentos da história recente do Egito — inclusive no confronto que garantiu a vaga para a Copa de 2018, ao sofrer o pênalti que selou a classificação. Com mais de uma década de convocações e cerca de 22 gols pela equipe nacional, oferece ao time, além de marcação na lateral, capacidade ofensiva e experiência em jogos de alta pressão.

A imagem do jogador, porém, foi marcada no último ano por uma controvérsia no Al Ahly: na estreia do clube no Mundial de Clubes, ele cobrou e desperdiçou um pênalti que não lhe pertencia, assumindo a cobrança no lugar do batedor regular. O clube puniu o caso com multa de 1 milhão de libras egípcias (próximo de R$ 97 mil). A sanção não decorreu do erro técnico, mas da quebra da hierarquia interna, um episódio que expõe tensão e disciplina em seu clube e chega como ruído antes do confronto com o Brasil.

Do ponto de vista tático, o Egito aposta na continuidade e na experiência desse trio remanescente para tentar equilibrar o jogo contra uma seleção brasileira favorita. Trezeguet soma rotinas no futebol do Egito e passagens por Bélgica, Turquia, Inglaterra e Catar, tendo retornado ao Al Ahly no ano passado; sua presença promete movimentar o corredor esquerdo e exigir atenção nas bolas paradas e nas transições. Para o Brasil, o desafio será neutralizar a experiência egípcia sem subestimar a pressão que jogadores veteranos podem impor em partidas decisivas.

Além do duelo direto com os verde-amarelos, há um dado histórico que pesa para o adversário: o Egito ainda não venceu uma partida em Copas do Mundo. O confronto de sábado representa, portanto, uma combinação de oportunidade competitiva e prova de maturidade para Trezeguet e companhia — e também um teste sobre como a seleção egípcia administra episódios extracampo que podem interferir na preparação.