Mikel Arteta (Arsenal), Xabi Alonso (Chelsea) e Andoni Iraola (Liverpool) terão na temporada 2026/27 um reencontro inédito na Premier League — e as raízes desse trio remontam a um mesmo clube amador: o Antiguoko KE, de San Sebastián. A coincidência chama atenção pela recorrência do País Basco como fonte de talentos não apenas para jogadores, mas também para treinadores que chegam ao topo do futebol europeu.

O Antiguoko aparece como ponto de convergência de uma safra que produziu nomes relevantes. Além dos três citados, a região abastece a elite com técnicos como Unai Emery (Aston Villa) e atletas como Martín Zubimendi, que atuam em clubes e na seleção espanhola. A presença de bascos na seleção campeã do mundo — entre eles Unai Simón, Aymeric Laporte, Mikel Merino, Nico Williams e Mikel Oyarzabal — reforça a qualidade do trabalho regional.

Roberto Montiel, dirigente e ex-treinador do Antiguoko, descreve o clube como uma instituição de bairro com métodos práticos: treinos orientados à competição e preparação diária voltada para formar profissionais. O Antiguoko mantém um acordo com o Athletic Club até 2030, com suporte financeiro e intercâmbio de atletas — um mecanismo que facilita observação e transferência de jovens que se destacam.

O surgimento de três treinadores formados no mesmo núcleo sublinha a eficiência do modelo basco de formação e a articulação entre clubes menores e grandes instituições regionais. Para a Premier League, é também um sinal da influência espanhola no mercado de técnicos. Ao mesmo tempo, o caso expõe dependência de clubes maiores sobre centros locais de desenvolvimento e levanta o debate sobre como pequenas estruturas são remuneradas e reconhecidas ao ceder talentos e conhecimento.