A Turquia que garantiu a vaga via repescagem reproduz em campo a inconstância do técnico Vincenzo Montella: brilho ofensivo e episódios de vulnerabilidade que alternam vitórias elásticas e derrotas humilhantes. A classificação após 1 a 0 sobre Kosovo confirma que o time avança, mas sem oferecer garantias.

Montella coleciona altos e baixos na carreira — passagem de sucesso pela Fiorentina seguida de tropeços em clubes europeus — e encontrou no futebol turco nova rota de recuperação. O treinador levou seleções e clubes locais a momentos relevantes, como a liderança do grupo nas eliminatórias e as quartas na Eurocopa de 2024, mas continua a montar equipes pendulares.

Os resultados traduzem esse perfil: da goleada sofrida por 6 a 0 para a Espanha a reações como 6 a 1 sobre a Bulgária e 4 a 1 contra a Geórgia. Placar elástico nem sempre significa controle; a Turquia também teve empates e partidas decididas por margem mínima — consequência direta de uma defesa que cede espaços com frequência.

Tecnicamente, o time tem atributos claros. Ferdi Kadıoglu alimenta a construção pelo lado esquerdo e libera a movimentação de Kenan Yıldız, jovem da Juventus comparado por alguns à escola clássica italiana pela condução vertical. Arda Güler, consolidado no Real Madrid, é o criador que dá imprevisibilidade; Hakan Çalhanoğlu organiza o meio e mantém a equipe perigosa em bolas paradas.

O desafio para 2026 é pragmático: transformar talento em consistência. Montella já mostrou capacidade de extrair potencial ofensivo, mas a manutenção no Mundial dependerá de ajustes táticos e aprimoramento defensivo. No papel, a Turquia pode assustar adversários; na prática, suas oscilações tornam a campanha um risco tanto para as ambições quanto para a expectativa dos torcedores.