A invencibilidade de Unai Simon na Copa do Mundo terminou aos 40 minutos das quartas de final entre Espanha e Bélgica. Em cruzamento da direita, Charles De Ketelaere subiu mais alto e testou para o gol, pondo fim à sequência de 648 minutos sem sofrer gols do goleiro espanhol — a maior da história dos Mundiais.

A marca de Simon havia sido construída desde o Mundial de 2022, no Catar, quando a Espanha foi eliminada nas oitavas por Marrocos nos pênaltis após 0 a 0. Ao longo de 2026, a resistência defensiva seguiu intacta contra Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai na primeira fase, e prosseguiu diante de Áustria e Portugal até as oitavas, antes de ceder nas quartas.

O número de 648 minutos elevava Simon acima de nomes históricos: Peter Shilton (502 minutos), Sepp Maier (475, entre 1974 e 1978) e Gianluigi Buffon (460, em 2006). Entre brasileiros, a lista relembra Emerson Leão (458, 1978) e Carlos (401, 1986). A quebra do recorde reafirma a dificuldade de manter sequências defensivas em fases decisivas do torneio.

Além do simbolismo da marca, o gol belga expõe um fator prático: jogadas aéreas e cruzamentos seguem sendo uma vulnerabilidade explorável mesmo por defesas consolidadas. A queda do recorde não desmerece a solidez espanhola ao longo do ciclo, mas oferece material de análise para adversários e mostra que uma única falha coletiva pode anular longas estatísticas defensivas.