O empate por 2 a 2 com Cabo Verde deixou o Uruguai em situação delicada no Grupo H: precisa vencer a Espanha na última rodada para avançar. A presença de Luis Suárez no camarote do Miami Stadium intensificou a leitura óbvia do jogo: a seleção tem apresentado números superiores quando o atacante joga, e a ausência dele reaparece como variável decisiva.

O dado é nítido e incômodo para a Celeste: todas as dez últimas vitórias em Copas do Mundo ocorreram com Suárez em campo. Desde 1970, o Uruguai soma apenas 11 triunfos em Mundiais — a única exceção foi em 1990, quando venceu a Coreia do Sul por 1 a 0, com gol de Daniel Fonseca aos 45 minutos do segundo tempo. Fora desse contexto, as recentes campanhas parecem calibradas ao redor do camisa 9.

Suárez, hoje com 39 anos, chegou a anunciar a aposentadoria da seleção e depois colocou-se à disposição para a Copa, mas não foi convocado por Marcelo Bielsa. A opção técnica ganha contornos políticos e esportivos: além da pressão imediata por resultados, a história recente mostra episódios em que a Celeste foi fortemente impactada por ausências ou suspensões do atacante — de 2010 a 2022, sua presença aparece ligada a vitórias decisivas e a episódios conflitantes dentro e fora de campo.

Para o Uruguai, a partida contra a Espanha terá peso tático e simbólico. Mais do que disputar uma vaga, a seleção enfrenta a prova de que consegue construir alternativas à figura de Suárez — ou seguirá pagando o preço de uma dependência que se manifesta em estatísticas e em decisões técnicas. O saldo imediato é simples: sem a vitória sobre os espanhóis, a sequência histórica e a credibilidade do projeto de Bielsa sofrerão questionamentos.