Valdas Dambrauskas nunca passou pelo profissionalismo como jogador, mas construiu uma carreira técnica fora do roteiro habitual. Formado em Engenharia, o lituano levou os €1.100 ganhos no programa 'Quem Quer Ser um Milionário?' como capital inicial: viajou à Inglaterra, estudou Ciências do Esporte e Coaching, trabalhou para se sustentar e acumulou experiência em escolas ligadas a Manchester United e Brentford.
A trajetória passou por clubes modestos — começou no Kingsbury London Tigers, voltou à Lituânia como auxiliar no Ekranas e assumiu como técnico principal quando surgiu a oportunidade — e ganhou musculatura internacional em Zalgiris, RFS, Ludogorets e Hajduk Split. Esse currículo o levou ao Sabah FK, do Azerbaijão, onde alcançou o maior feito da carreira.
Fundado em 2017, o Sabah fez história ao garantir, pela primeira vez, vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões. A campanha foi marcada pela atuação decisiva do atacante Veljko Simić, artilheiro das eliminatórias com seis gols, e pela reação histórica ante o Hapoel Beer Sheva: derrota inicial por 2 a 1 e vitória por 5 a 2, após prorrogação, na partida que carimbou a classificação. Dambrauskas disse à Uefa que o time sempre pareceu um intruso, mas provou merecer o lugar.
O avanço do Sabah tem efeito prático e simbólico: traz receitas extras, visibilidade internacional e um novo capítulo para a liga do Azerbaijão, ao mesmo tempo que testa a sustentabilidade do projeto diante de adversários muito maiores. A história do técnico reforça também um argumento recorrente no futebol moderno: investimento em formação e capacitação técnica pode abrir caminhos alternativos ao talento individual. Resta agora ver se a estrutura do clube acompanhará o salto competitivo na fase de grupos.