O empate por 1 a 1 entre Cruzeiro e Flamengo, no Mineirão, teve um episódio decisivo aos 10 minutos do primeiro tempo: Matheus Henrique alcançou Bruno Henrique com uma entrada dura na canela e recebeu apenas cartão amarelo. No VAR, o argentino Hector Paletta avaliou a jogada e decidiu que não havia necessidade de acionar o árbitro principal, Yael Falcón, para revisão no monitor — decisão que resultou, na prática, na manutenção do atleta em campo até o fim da partida e, por consequência, na suspensão automática por terceiro amarelo.

A escolha de Paletta chamou atenção porque o mesmo árbitro de vídeo esteve na final da Libertadores de 2025, em Lima, quando também optou por não recomendar a revisão de dois lances polêmicos: o confronto entre Pulgar e Bruno Fuchs e a chegada de Raphael Veiga em Carrascal. Naquele episódio, o ex-árbitro e comentarista Paulo César Oliveira disse que os lances justificariam expulsões, opinião que reacende hoje o debate sobre a coerência nas decisões de vídeo em jogos decisivos.

Além do prejuízo imediato ao Cruzeiro — que terá de encarar a volta no Maracanã, na próxima quarta-feira às 21h30 (de Brasília), sem Matheus Henrique — a repetição de decisões semelhantes em um mesmo VAR alimenta questionamentos sobre parâmetros de revisão e interpretação de intensidade de jogo. No futebol de mata-mata, cada expulsão ou não expulsão tem impacto tático e psicológico claro na dinâmica de uma eliminatória.

O episódio não altera apenas a escalação para o duelo de volta: coloca em foco a necessidade de transparência e consistência nos critérios do VAR em partidas determinantes da América. Se a tecnologia nasceu para uniformizar decisões, casos sucessivos com o mesmo oficial voltam a provocar dúvidas e abrem espaço para pressão da torcida, dos clubes e da mídia por explicações mais detalhadas sobre os parâmetros adotados.