O presidente do Vasco, Pedrinho, voltou a mobilizar a cúpula do clube e a Conmebol para levar o clássico com o Flamengo a São Januário. O pedido reacende uma disputa antiga sobre o uso do Maracanã e sobre a chamada isonomia entre os clubes do estado, e traz à tona um incômodo que já motivou mudanças de local em decisões regionais.

O argumento vascaíno é direto: o acordo que coloca Flamengo e Fluminense no Maracanã e permitia ao Vasco até quatro partidas adicionais no estádio não estaria sendo cumprido na prática. Na visão da diretoria, essa assimetria de mandos — o Vasco joga apenas 17 das 38 rodadas em casa, contra 21 do Flamengo e do Fluminense — altera competitividade esportiva e receitas associadas ao mando de campo.

O conflito se intensifica porque o BEPE já vetou, no passado, a realização de clássicos do tamanho de Vasco x Flamengo em São Januário com base em análise de risco no entorno do estádio. Pedrinho contestou essa avaliação, lembrando que o estádio recebe jogos contra adversários de grande rivalidade sem incidentes e questionando a capacidade de a polícia justificar restrições apenas para determinados confrontos.

Além do contencioso entre clubes, a disputa tem desdobramentos práticos: definição do local do jogo afeta bilheteria, receita e vantagem esportiva imediata, e coloca pressão sobre instâncias de segurança pública e organizadores. O último clássico entre os dois no palco foi em 2020, com triunfo do Flamengo por 2 a 1 em partida marcada por portões fechados; agora, a decisão sobre o mando será também um termômetro da relação entre o Vasco, o Bepe e os gestores do Maracanã.