O Vasco levou à prefeitura do Rio o projeto do seu novo centro de treinamento, apresentado em reunião que contou com a participação de Marcos Lamacchia, empresário com acordo encaminhado para aquisição da SAF, e do presidente Pedrinho. O escritório do arquiteto Renato Malki, responsável pelo CT do RB Bragantino, foi contratado para desenhar a obra — uma escolha feita explicitamente com o objetivo de reproduzir, e segundo dirigentes, aprimorar o modelo paulista.

A inspiração no CT do Bragantino é explicada pela integração entre tecnologia, rotina dos atletas e infraestrutura de apoio. A referência inclui campos, alojamentos com serviços de hotelaria, academias, áreas de lazer e logística para atividades esportivas e de formação. O clube diz buscar uma versão ainda mais moderna da estrutura inaugurada em Atibaia, e afirma que o investimento previsto por Lamacchia é de R$ 120 milhões.

Além da definição técnica, o projeto coloca à prova a capacidade do Vasco de obter garantias administrativas. Pedrinho e Lamacchia têm mantido conversas frequentes com o prefeito Eduardo Cavaliere para assegurar alvarás e autorizações — uma preocupação explícita do clube diante do risco de mudanças na gestão municipal. A dependência de licenciamentos municipais e da conclusão da transação da SAF cria um ponto de fragilidade político-financeira que pode atrasar ou condicionar o cronograma da obra.

Do ponto de vista esportivo e econômico, a iniciativa pode elevar a atratividade do clube para jogadores e parceiros e melhorar o desenvolvimento das categorias de base. Na prática, porém, o sucesso do projeto ficará atrelado à capacidade de transformação dos compromissos em recursos e permissões concretas. Até que isso ocorra, a ambição por um CT de alto padrão segue mais como promessa estratégica do que como obra em execução.