O Vasco entrou em rota de incerteza a 23 dias do fechamento da janela de transferências. A Justiça determinou a apresentação de um relatório detalhado de auditoria antes de analisar o pedido de empréstimo DIP de R$150 milhões, destinado a clubes em recuperação judicial. A necessidade de novo documento empurra o processo para ao menos mais 15 dias — prazo estimado pela cúpula vascaína para elaborar o relatório exigido.
Além do tempo, a tramitação tornou-se mais complexa: todo movimento jurídico do clube depende da aprovação de dois interventores, do Ministério Público, do chamado gatekeeper e da juíza responsável. Internamente cresce o receio de que a liberação dos recursos só ocorra após 11 de setembro, último dia da janela. Como resposta, a diretoria pretende apresentar agravo ou pedido de reconsideração na tentativa de acelerar a liberação.
Na ponta esportiva, o impacto é imediato. A diretoria vinha contando com o empréstimo para pagar entradas de contratações — parcelas que, na maior parte, foram programadas para 2027, mas exigem pagamentos a vista já em 2026. O clube monitora um centroavante e tem negociações adiantadas por um zagueiro e um meio-campista; sem garantias financeiras, é difícil que essas operações avancem. Entre os nomes avaliados está Marino Hinestroza, apontado por levantamento do ge entre as piores contratações do país em 2026.
Se o crédito não sair, o Vasco terá de virar o foco para um mercado até agora pouco explorado pelo clube: jogadores sem contrato e negócios por empréstimo. A mudança de rota é prática, mas menos ambiciosa, e expõe uma fragilidade do planejamento financeiro: depender da liberação de um único aporte judicial deixa o elenco vulnerável e amplia o custo esportivo e administrativo. A diretoria corre contra o relógio para evitar que a janela termine sem reforços essenciais.