O Vasco anunciou que a SAF recebeu R$65 milhões da operação DIP contratada junto à Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Faria Lamacchia. O montante faz parte de um financiamento total de R$150 milhões que enfrentou entraves judiciais e foi liberado no fim da semana passada. A notícia chega na véspera do duelo com o Santa Fe, terça-feira às 19h, em São Januário, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana — caminho para às semifinais que o clube não alcança desde 2011.
A diretoria programou uma série de pagamentos com o recurso: quitação de credores vinculados à recuperação judicial, acertos relacionados a planos coletivos na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, além de compromissos com contratações e a folha salarial do futebol. Além dos R$150 milhões, o clube prevê captar pelo menos mais R$50 milhões até o fim de 2026; no ano passado já havia obtido R$80 milhões junto à Crefisa.
A liberação do empréstimo foi acompanhada por uma decisão judicial que determina a abertura do processo competitivo para a venda de 90% da UPI Equity, a nova SAF do Vasco. As propostas serão apresentadas em formato fechado em audiência marcada para 25 de setembro, às 14h. O cenário alia, portanto, alívio de liquidez imediato à pressão por um comprador que aceite os termos da operação e pelo desfecho do processo de alienação.
Do ponto de vista administrativo, a operação reduz tensão de caixa no curto prazo, mas amplia a dependência do clube em linhas de crédito e na capacidade de atrair investidores. A gestão do presidente Pedrinho — com mandato até o fim de 2027 — terá de justificar nova rodada de empréstimos, demonstrar eficiência no uso dos recursos e manter transparência no processo de venda. Para a torcida, o aporte permite um fôlego para a temporada, mas não elimina a cobrança por resultados e solução estrutural para as finanças.
No plano esportivo, a chegada do dinheiro pode viabilizar pagamentos e inscrever reforços, o que tem impacto direto na preparação para o jogo decisivo contra o Santa Fe. Ainda assim, a operação financeira é paliativa se não vier acompanhada de medidas capazes de reduzir a necessidade contínua de crédito e de um plano claro para a sustentabilidade da SAF.