O Vasco assegurou a vaga nas oitavas da Copa do Brasil ao empatar por 2 a 2 com o Paysandu em São Januário, mas a classificação veio com sobressaltos que incomodam. Renato Gaúcho optou por preservar titulares após a vantagem construída na ida, e o rodízio trouxe respostas positivas — principalmente no primeiro tempo —, mas o relaxamento depois de abrir 2 a 0 transformou uma noite que poderia ser tranquila em fonte de preocupação.
O colombiano Marino Hinestroza foi o nome da partida: sofreu o pênalti convertido por Johan Rojas e ainda deu a assistência para o gol de Thiago Mendes, numa atuação que o técnico destacou como a melhor do atacante no clube desde sua chegada. Além disso, Brenner apareceu em duas oportunidades claras e não conseguiu converter, perdendo chances que poderiam ter liquidado a vaga sem drama. O aproveitamento das oportunidades segue sendo um ponto a ajustar.
O Vasco dominou a primeira metade, mas sofreu um golpe no fim do intervalo e permitiu o empate logo no reinício do segundo tempo, mostrando desatenção coletiva. A arquibancada traduziu o sentimento da noite: aplausos por momentos de qualidade e vaias pela perda de foco. Em um lance emblemático, Marino recuperou a bola e preferiu tocar para trás em vez de servir David, livre dentro da área — um exemplo do nervosismo e da falta de objetividade que surgiram quando a partida parecia controlada.
A moral é dupla: o rodízio funciona como instrumento para dar ritmo a jogadores pouco utilizados e testar alternativas em um calendário pesado, mas também exige disciplina. Renato reconhece o trabalho feito e lembra a briga em três frentes, além da janela de transferências à frente, mas terá de cobrar maior consistência e eficiência ofensiva se quiser evitar que escorregões assim custem mais caro no Brasileirão e nas fases decisivas da Copa do Brasil.